Inclusão social: o autismo e as novas tecnologias

Autismo e inclusão social com novas tecnologias

As NTICs (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação) têm um papel muito importante na rotina de muitas pessoas. Muito mais do que um simples avanço, os avanços tecnológicos proporcionaram uma nova forma de viver. Quando e se utilizadas com responsabilidade, ética e segurança, as NTICs representam meios de comunicação, interação, entretenimento e acesso à informação. Contribuindo inclusive para maior acessibilidade e democratização do acesso à informação e educação em diferentes âmbitos. Neste texto vamos explorar, em especial, a relação entre o autismo e as novas tecnologias.

Novas tecnologias e acessibilidade

Meu papel como mãe, advogada e sócia de um hub de educação digital me motiva a expor, debater e orientar sobre os diversos riscos e vulnerabilidades atrelados ao mau uso das NTICs. Porém, sempre faço questão de exaltar todo seu valor e incríveis oportunidades que elas permitem  desfrutar. 

tecnologia , representa não somente inigualáveis atrativos da contemporaneidade, mas também uma ferramenta para facilitar a vida. Graças a esses incríveis avanços, muitas pessoas são capazes de encontrar uma autonomia que, sem elas, talvez nunca tivessem. 

A importância da tecnologia para crianças do espectro autista

Estima-se que três milhões de brasileiros são autistas. Este dado é um reflexo do estudo divulgado pelo Center of Control and Prevention, órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, que aponta a incidência de uma a cada 68 crianças. 

As pessoas consideradas dentro do espectro autista têm uma noção de realidade própria, mas isso não significa que são incapazes de viver em uma sociedade como a nossa. Muito pelo contrário: com o devido acompanhamento e políticas públicas apropriadas para a inclusão, elas estudam, trabalham, se divertem, brincam e também utilizam a tecnologia. Assim, usam celular, tablet, computador e toda os recursos e ferramentas tecnológicas disponíveis.

A proteção dos dados de crianças e adolescentes

Para começar, devemos olhar assim como a Lei Geral de Proteção de Dados. Dessa forma, entender que seus dados merecem o mesmo tratamento dos sensíveis, isso é, com o dobro de zelo e cuidado. E, vale lembrar, não apenas no ambiente tecnológico: todos e todas que prestam serviços para elas como profissionais de fisioterapia, medicina, fonoaudiologia, enfermagem, educação, equoterapia, entre outras. 

Informações sobre o tratamento, tais como sua frequência e respectiva evolução, introduções medicamentosas (quando o caso), desempenho escolar, entre  outras informações relacionadas às crianças do espectro autista devem ser processadas com toda atenção.

Durante a pandemia, quando muitas atividades têm sido online, instituições de ensino e famílias devem atentar-se às peculiaridades de cada criança. Enfim, é importante ter um olhar ainda mais cauteloso para com as autistas.

O autismo e as novas tecnologias

A inclusão digital, sem dúvida, é muito positiva, pra não dizer essencial ao seu desenvolvimento neurológico, bem como à sua independência e comunicação interpessoal. 

Alguns desenvolvedores, por exemplo, já vem criando aplicativos incríveis com funções educacionais e de entretenimento voltadas às crianças e adolescentes que se enquadram no espectro. Porém, com toda esta proposta benéfica, estes aplicativos devem adequar-se à LGPD e já ter a proteção de dados e privacidade no conceito (privacy by design). Ainda que a lei não traga referência direta à questão, o próprio propósito de zelar para que dados não sejam coletados em excesso ou tratados de forma inadequada nos dão a compreensão. Mesmo maiores de 18 anos, os diagnosticados autistas merecem, em minha opinião, a proteção de seus dados como se sensíveis fossem, adotando-se um protocolo apropriado.

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